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Hora de Acordar

São José do Rio Preto, 3 de abril de 2005

 

Fabiano Ferreira

00:33 – Não dá mais para alegar desamparo. Nunca foi tão acessível obter ajuda para resolver problemas emocionais como atualmente. A terapia se popularizou, os medicamentos para tratar depressão e seus desdobramentos estão cada vez mais eficientes, crescem os grupos de auto-ajuda e até igrejas oferecem orientação psicológica de graça. Para completar, as bancas e livrarias estão repletas de livros, revistas e jornais com pilhas de conteúdo para ajudar os leitores a terem uma vida mais equilibrada e feliz. Cada caso é um caso, e não podemos generalizar. Mas não se trata quem não quer. Só padece à toa quem tem resistência à mudança e fica “à espera de um anjo”, de “uma graça vinda do céu” ou da “pílula da felicidade” (essa, por sinal, está longe de existir).

Diante de tudo, resta uma saída: é hora de acordar. O ditado popular já diz que “acordar para a vida” é fazer uma boa reflexão sobre a realidade, aprender com o passado e tomar atitudes que projetem um futuro melhor. “Sempre digo: acorde para a vida, encontre-se consigo mesmo e descubra quão rico de talentos você é, e quão longe você pode caminhar”. O conselho é da es-critora mineira Eliana Barbosa, que acaba de lançar o livro “Acordando para a Vida” – Lições para sua transformação interior” (Editora Novo Século), com prefácio de Lair Ribeiro. Consultora em desenvolvimento humano, Eliana defende que é possível despertar um novo interesse pela vida, com profundas análises sobre a força que cada um carrega dentro de si.

“Temos de converter sentimentos destrutivos como as culpas, as mágoas, o egoísmo, a inveja, os medos e a solidão, por exemplo, em atitudes positivas como o perdão, o auto-perdão, generosidade, otimismo, entusiasmo, liderança e alegria de viver”, diz Eliana. O ponto de partida para toda a mudança deve ser o fortalecimento da auto-estima. Quem não se ama o suficiente não consegue resolver os próprios problemas, que dirá ajudar quem está próximo. A escritora diz que neste processo não adiante jogar a culpa no outro. A responsabilidade é sua. É claro que o caminho para uma vida saudável e feliz pode ser tortuoso.

Os problemas vão e vêm. O que deve mudar é a maneira como os tratamos, o modo como lidamos com eles. Quem repete comportamentos está fadado à frustração. “Vivemos num mundo em que a insatisfação das pessoas consigo mesmas e com sua própria vida é enorme. Pessoas insatisfeitas costumam reclamar da falta de oportunidades, mas, em geral, não se preparam para recebê-las. Elas vinculam a solução de seus problemas a atitudes de outras pessoas, esquecendo-se de que a vida nos dá exatamente aquilo que dela esperamos”, escreve Eliana. O segredo para viver bem, diz a consultora, é mudar o próprio modo de pensar e não a forma como os outros pensam e são. “Para ter mais alegria, a chave é encontrar sua finalidade de vida”.

Ter objetivos e conhecer os próprios limites ajuda bastante na tarefa de encontrar a estabilidade física e emocional. Para Eliana, cada um de nós nasceu abençoado com um propósito e uma missão a cumprir. Existe, porém, um compromisso maior e comum a todos nós, que é a responsabilidade de tornar o mundo em que vivemos melhor, seja material, moral ou espiritualmente. Ninguém está na Terra só para ver o tempo passar e comentar sobre o que se vê. “Por meio de escolhas e de oportunidades que nos são dadas, somos, a todo instante, chamados a participar desse processo evolutivo”, diz.


 

“É preciso aprender com as lições diárias”
A melhor fonte de lições para nós é nossa própria experiência de vida. O problema é que muitas pessoas não conseguem voltar seus olhos para dentro de si e por isso precisam de ajuda. Nestes horas é que vale a máxima popular “acordar para a vida”. “É preciso se conscientizar que você é o senhor do seu destino. Temos de parar de jogar a culpa nos outros ou na vida pelas próprias escolhas erradas. O ideal é encontrar o sentido de estar vivo, aqui e agora”, diz a consultora em desenvolvimento e escritora Eliana Barbosa. Em entrevista ao Diário, ela falou sobre crescimento pessoal e profissional e como podemos aproveitar mais as lições que a vida nos dá para passar por uma transformação interior.

Confira trechos da entrevista:

Diário da Região – Quando se começa a construção da auto-estima? Como os pais podem incentivar que os filhos a tenham desde cedo?
Eliana Barbosa – A constru-ção da auto-estima se inicia des-de a vida no ventre materno, porque se já sabemos que o feto pode até ouvir os sons externos e sentir o estado emocional da mãe, pode perceber também se é bem-vindo ou não na família. Então, sempre sugiro às gestantes muita conversa carinhosa com o bebê, e sempre em um tom otimista em relação à vida: “Seja bem-vindo a este mundo!”, “Esperamos ansiosamente o dia de pegá-lo no colo”, “Você já é muito amado por toda a sua família”. E depois de nascido, os pais devem continuar esta programação positiva, com palavras de incentivo, elogios verdadeiros na hora certa e, na hora de repreender, procurar mostrar aos filhos que o que os desagradam não são eles como pessoas, mas sim as suas atitudes não corretas, que podem ser mudadas quando quiserem. Para que não venhamos a destruir a auto-estima de quem quer que seja, jamais devemos criticar as pessoas em si, e sim, se for necessário, as suas atitudes.

Diário – Se podemos fazer escolhas, por que nem sempre as pessoas optam por um caminho mais fácil? Ou seja, por que, em geral, fica mais fácil complicar?
Eliana – As pessoas que acreditam nas dificuldades e gostam de complicar os seus caminhos são, a meu ver, pessoas que carregam culpas dentro de si, muitas vezes até inconscientes. Então, procuram o sofrimento com as próprias escolhas negativas que fazem porque, inconscientemen-te, não acreditam que merecem o melhor. Ficam patinando na vida, sem perspectivas de crescimento.

Diário – Como podemos reconhecer nossas limitações? Quais os prejuízos que temos ao não reconhecê-las?
Eliana – Reconhecer nossas limitações é um dos aspectos do processo de autoconhecimento pelo qual todos nós devemos passar. Para reconhecermos os nossos limites é preciso humildade e capacidade de ouvir as pessoas, porque os outros têm mais possibilidade de enxergar os nossos defeitos e dificuldades. Só temos de tomar cuidado para não acreditar em tudo que nos dizem, de bom ou de ruim, e sim, aproveitarmos a oportunidade para refletir sobre isso. E até digo que, neste ponto, os inimigos nos ajudam muito mais que os amigos, porque eles nos mostram, sem medo de desagradar, aquilo que ainda temos como imperfeições, nos fazendo acordar para os nossos limites. Quando não reconhecemos as nossas limitações, fica difícil estabelecer metas para as nossas realizações. Se não sabemos onde estamos, como vamos saber que caminhos tomar e aonde queremos chegar?

Diário – No livro, a senhora fala sobre os diferentes tipos de medos que temos. Por que desenvolvemos estes medos? Como lidar com eles para que não sejam entraves para o nosso crescimento?
Eliana – O medo simboliza uma falta de confiança no processo da vida. Nós, seres humanos, já crescemos com seis me-dos básicos, inerentes a todos nós, que são: medo da pobreza, da crítica, das doenças, da perda do amor de alguém, da velhice e da morte. E, mais recentemente, em uma pesquisa norte-americana, foi descoberto outro medo bastante comum: o medo da loucura. E, além destes medos, ainda podemos apresentar, às vezes, outros “pequenos grandes medos” devastadores, tais como o medo do sucesso, o medo de ser feliz, medo da riqueza, medo da solidão, medo das mudanças etc.Acredito que desenvolvemos estes medos desde a infância devido às crenças que nos são passadas de uma geração à outra. É claro que temos medos necessários à nossa sobrevivência que são positivos, que também aprendemos com os nossos pais, mas os medos destruidores da auto-estima e da autoconfiança devem ser detectados por nós através da prática do autoconhecimento e podem, perfeitamente, ser trabalhados para que tomemos consciência de que enfrentar o medo é fazer o que tem de ser feito, mesmo com medo. Isto é coragem! Sempre indico às pessoas um trabalho de mudança de padrões de pensamentos e visualizações de situações que eram de medo sendo resolvidas com a maior naturalidade. O poder de nossas mentes é fantástico e ninguém pode nos apoiar na solução de nossas dificuldades se não permitirmos. Cada pessoa traz dentro de si um médico, um psicólogo, um professor interior. Basta acioná-los na hora certa e colocá-los em ação.

Diário – Embora cercados de pessoas, muitos reclamam da solidão, aquele “vazio interior” que assola a humanidade. Como mudar esta situação?
Eliana – Eu acredito que a pessoa que tem uma baixa e frá-gil auto-estima não consegue perceber que ela mesma é a sua melhor companhia. E, com isso, passa a se sentir só mesmo quando acompanhada de outros, porque vive um vazio interior. E quem não se ama o suficiente, não tem amor de sobra para os outros. Por mais que tente, não consegue convencer os outros da sua dedicação. E, com isso, começa a se sentir só. Então, o caminho para o combate à solidão é o seguinte: primeiro, alimente a sua auto-estima e seja solidário, porque, como diz o ditado, “o homem solidário jamais encontra-se solitário.” Busque fazer uma diferença construtiva na vida das pessoas, construindo “pontes” ao invés de “muros” em sua trajetória de vida, pois assim, o sentimento de solidão jamais fará parte da sua existência.

Diário – No trabalho, o pecado capital que reina é a inveja e muitas vezes não nos damos conta de que estamos agindo com inveja ou sendo alvos dela. O que fazer nestas situações?
Eliana – Infelizmente, até hoje, a inveja é um sentimento pre-sente em todas as relações inter-pessoais, quer familiares, sociais ou profissionais.Precisamos aprender a lidar com este sentimento tão destrutivo para quem o tem. Primeiro é preciso ficar claro que há uma diferença entre inveja e admiração. Você pode admirar a competência e as qualidades do seu colega sem, no entanto, invejá-lo. A inveja se estabelece quando a pessoa vê as qualidades, mas só enfatiza os defeitos do outro, praticando, em muitos casos, até a maledicência. Ao invejoso, que muitas vezes nem percebe que é, eu sugiro que comece a cuidar da própria vida, fazendo um exercício de autocomparação, ou seja, que perceba que ele, hoje, é muito melhor do que era tempos atrás e pare de se comparar com os outros, porque sempre existirão pessoas melhores e piores do que ele, em qualquer área de sua vida. A quem se sente incomodado com a inveja alheia, só digo o seguinte: se você não quiser ser invejado, então não faça nada, não fale nada, não seja nada. Porque como diz este forte ditado, “ninguém chuta cachorro morto”. Se hoje você é invejado pelos outros, então saiba que, de alguma forma, você está fazendo a diferença e isto é muito bom, afinal, de que adianta passar a vida inteira escondendo os seus talentos, para não ser invejado? Quem vai ganhar com isso? Ninguém!

Diário – Quais as vantagens de valorizar o “aqui e agora”, em vez de remexer o passado ou especular sobre o futuro?
Eliana – O “aqui e agora” é o nosso presente, dádiva que rece-bemos para transformarmos a nossa vida. O passado é só histó-ria, não podemos mudar nada, mas podemos, no presente, com consciência, mudar a nossa interpretação dos fatos passados da nossa vida. Hoje, com a intensa busca do ser humano em se auto-conhecer e melhorar a sua vida, fica mais claro que o passado só deve ser lembrado pelas lições preciosas que deixou e o futuro deve ser planejado, sim, através de metas bem estabelecidas. Tem pessoas que vivem com um pé no passado (mágoas, culpas e lembranças do que não volta mais) e o outro pé no futuro (preocupações e medo do que poderá vir a acontecer) e esquecem-se que a vida é o hoje, o aqui e o agora. Tudo o que virá depende da forma como você vive o presente. O resto é passado (que não mais existe) e futuro (que ainda não existe).

Diário – Cada vez mais se valoriza a fé como instrumento poderoso para manter uma pessoa equilibrada e até mesmo ajudar na recuperação de doenças. Mas o que a senhora diz sobre aquelas pessoas que têm fé, são até bastante religiosas, mas entregam tudo nas mãos de Deus e se esquecem da sua parcela de responsabilidade?
Eliana – Realmente, há mui-tas pessoas que não entendem ainda que o universo só apóia quem sabe o que quer e quem faz a sua parte. Eu também conheço muitos indivíduos, extremamente religiosos, que, ao invés de tomarem atitudes transformadoras em suas vidas, buscam a religião como forma de transferir as suas responsabilidades e compromissos nas mãos de Deus. Não cuidam da saúde, vivem de forma desregrada, agridem suas consciências e depois começam a rezar pedindo socorro para as suas dores e sofrimentos. E o que percebemos é que todos que agem assim, ainda reclamam que suas preces não são atendidas e acabam vivendo em um círculo vicioso que não se resolve. O cultivo da religiosidade é de extrema importância. Pesquisas apontam que as pessoas realmente prósperas e bem-sucedidas são pessoas que buscam desenvolver a própria espiritualidade, acreditando em uma Força Superior que apóia os seus esforços. Para que nossas preces realmente surtam efeito, as atitudes construtivas precisam integrar o nosso viver. Eu sempre digo que o universo adora apoiar quem sabe o que quer!

Diário – Valores como gratidão, honestidade e perdão infelizmente parecem não ser tão claros para os jovens de hoje. Como a senhora vê o futuro desses jovens? O que os pais e a sociedade podem fazer para contribuir?
Eliana – A grande responsabilidade dos pais e da própria sociedade é o exemplo. A função dos pais, no mundo de hoje, é muito mais difícil porque a juventude atual é mais rebelde, quer se libertar mais cedo, o que de certa forma é até positivo. Só não está sendo bem negociado. Cabe aos pais exemplificar e valorizar mais atitudes como a gratidão (mostrando que quanto mais agradecemos, mais motivos temos para agradecer), a honestidade (fazer aos outros aquilo que gostaríamos que fosse feito a nós) e perdão (sentimento que nos liberta e previne doenças e dificuldades financeiras), e muitos outros valores, dentre eles a religiosidade, a solidariedade e a paz de consciência. O futuro de jovens que não aprenderam ou não vivenciam os valores humanos em suas vidas é previsível: baixa auto-estima, péssimos relacionamentos, sonhos frustrados, dívidas financeiras e solidão, infelizmente. Cabe a nós como pais e sociedade buscarmos uma forma de tocar o coração dos nossos jovens para o seu crescimento pessoal, conscientizando-os da importância deles na evolução deste mundo.

Diário – Qual a importância de aceitar perdas naturais da vida?
Eliana – Vivemos em um mundo em processo permanente de mudança. Mesmo sem querer ou perceber, mudamos todos os dias. Mudamos em relação a sentimentos, ou conhecimentos, ou mesmo fisicamente, com o passar dos minutos. Isto é um fato incontestável e, junto com qualquer mudança, vem o sentimento de perda. Temos de aceitar sim porque em todas as transformações de nossas vidas há sempre os ganhos e as perdas naturais. Para você se tornar adulto, você perdeu a sua adolescência, quando você mudou para um emprego melhor, alguma coisa você deixou para trás no antigo emprego. Toda escolha implica perdas e sabendo disso, fica menos angustiante tomar decisões, porque você já se prepara para não se decepcionar com as perdas e começa valorizar os ganhos. Uma das perdas naturais da vida e para a qual precisamos estar preparados é a perda de entes queridos, através da tão temida morte. É doloroso, mas não temos outra escolha senão a aceitação. É preciso paciência neste processo de assimilação à nova realidade e, depois, aceitar o fato e prosse-guir com a vida, porque se ela ainda existe para você é porque a sua missão ainda não acabou. O que não se pode perder nunca é a esperança.


Conheça a Ti mesmo

Extraído da newsletter do portal www.rhcentral.com.br

 

 

Como o ditado já infere, conhecer a si representa algo elementar para o bom desenvolvimento do ser humano, e agora, para disseminar esta questão, empresas investem em práticas para os seus colaboradores se conhecerem, e assim, atenderem alguns elementos básicos da boa gestão empresarial. Pensando neste contexto, a consultora Eliana Barbosa, lançou pela editora Novo Século, o livro “Acordando para Vida – Lições para sua transformação interior”, que traz em seu conteúdo lições transformadoras para todos os aspectos da vida, tendo sempre ao final de seus 62 capítulos uma história ou fábula para enriquecer as reflexões dos leitores. E em entrevista exclusiva ao RH Central, a autora pontua alguns detalhes importantes sobre a interiorização do ser. Confira!

RH Central – Por que o “Acordando para a Vida” é importante para o mundo dos negócios?
Eliana Barbosa – Como toda empresa é uma extensão de cada ser humano que lá colabora, então, o que afeta o seu colaborador, afeta diretamente a empresa em que trabalha. Assim, este livro é muito importante para o mundo dos negócios porque ele leva as pessoas à interiorização, de uma forma leve e agradável, numa abordagem simples e direta de assuntos pessoais que afetam a vida profissional, ensinando, ao longo de suas lições, como se relacionar melhor consigo mesmo, com os familiares e profissionalmente também.

RH Central – No livro, você cita que um profissional só atinge a excelência se ele for uma pessoa boa, mas o que é ser uma pessoa boa no ambiente profissional?
Eliana Barbosa – O sucesso duradouro é aquele que tem a sua base na vida pessoal. Ser uma boa pessoa no ambiente profissional é apenas uma continuidade de ser uma boa pessoa em qualquer contexto: é saber se relacionar bem, é ser generoso sem ser “bonzinho”, é saber ouvir os outros com interesse sincero, é estar comprometido com o seu trabalho e com sua equipe, sabe administrar o seu tempo, sabe disciplinar a sua vida, sempre pautando os seus relacionamentos no “ganha-ganha”; é transparente, sem ser vidraça, pois sabe ser resiliente e não se “quebra” a qualquer golpe que leva.

RH Central – As empresas se importam se o colaborador sabe sobre o seu eu?
Eliana Barbosa – Não tanto quanto deveriam. O que vejo, com mais freqüência, é que as empresas buscam resultados para os seus negócios, mas se esquecem que para terem bons resultados, o seu material mais precioso – o humano -, tenha a função que tiver, precisa de condições para desenvolver o seu próprio equilíbrio emocional. Eu sempre digo que, quem está bem consigo mesmo, relaciona-se melhor na família e no trabalho e, conseqüentemente, produz com mais empenho e competência!

(Entrevista extráida da Newsletter “Central News” do portal www.RhCentral.com.br)