“O Enigma da Bota”

João Eurípedes Sabino

É na partilha da herança que os parentes se conhecem.
Lutamos… lutamos… pela posse da terra em vida e depois temos de nos contentar com uma diminuta área de 1 metro x 2 metros…
Estas e outras frases expressei no lançamento do livro: “O ENIGMA DA BOTA”, lavrado pela articulista e escritora uberabense Eliana Barbosa. Nada mais sugestivo para os dias atuais, quando vemos o tema sucessão familiar causar verdadeiros terremotos. É que os herdeiros esperam só a herança, e não os ônus para conservá-la, fazendo-a crescer. O tema delicadíssimo rendeu-se à sensibilidade da nossa consultora de desenvolvimento humano.

A memorável noite de 03/06/06 no Shopping Uberaba ficará na história da nossa literatura. Tive a honra de apresentar para seleto auditório a obra de Eliana, uma estrela que, sem favor algum, brilha quebrando paradigmas. Tabus envolvem o assunto. Os momentos mais aflitivos dos que recebem heranças, agora, serão amainados com aquele manual ricamente concebido. Ali estão os recursos em forma de novela psicodinâmica com sabor italiano e ao alcance dos que primam por colocar em prática o desejo de seus ascendentes: herdar e não dilapidar.

Em “O ENIGMA DA BOTA”, nossa escritora mostra, com técnicas docentes, sensíveis e aprimoradas (Ex.: Fazer sete respirações profundas e mentalizar idéias), como enfrentarmos as vicissitudes impostas pelas desavenças dos que estão conosco no bolo de uma herança material.

O público conhecerá a família de Augusto Domenico e saberá tudo, desde esse patriarca ao seu bisneto Júlio César Domenico, sobre como conduzir um legado apesar dos problemas naturais do gênero humano. Família e empresa ou vice-versa é o cerne da questão literária, não sendo raro vermos, na prática, situações semelhantes nas quais rompimentos nunca imaginados ocorrem. Aliás, é freqüente certas palavras serem ditas entre herdeiros quando jamais poderiam sequer ser pensadas. São aqueles termos letais.

Quantas famílias, no fechar de olhos de seus chefes, vêem tudo se desmoronar, levadas pela discórdia, mágoas e ressentimentos. Uns em vida optam pelo usufruto vitalício ou gravam imóveis com cláusulas de impenhorabilidade e inalienabilidade. Tudo seria dispensável se o ser estivesse acima do ter.

Eliana Barbosa realiza ato cirúrgico num assunto enquistado, permitindo que muitos aprendam a manipulá-lo sem o ingrediente tão comum, o sofrimento.

E-mail: forumdosarticulistas@hotmail.com

(Artigo publicado no dia 09 de junho de 2006, no Jornal da Manhã – Uberaba – MG, na página OPINIÃO)

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